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Anderson Silva não acha que perdeu para Weidman

Anderson Silva sofreu um horrível acidente em sua revanche contra Chris Weidman no UFC 168, mas não considera sua última luta uma derrota.

O antigo campeão da categoria de pesos médios quebrou sua perna esquerda ao desferir um chute em Weidman em 28 de Dezembro (2013), em Las Vegas, mas está confiante de que será capaz de lutar novamente algum dia. E quando ele o fizer, não entrará no Octógono sentindo que está vindo de mais uma derrota para Chris.

“Eu acredito que, se prestar atenção aos detalhes técnicos, verá que (o bloqueio do chute) foi por instinto, não algo que ele treinou para fazer” Silva disse durante uma entrevista para Globo. “Não, não acho (que Weidman pode considerar isso uma vitória). Foi um acidente. E tenho certo de que poderia ter vencido.”

Durante a entrevista, Silva reassistiu a luta e disse que cometeu alguns enganos técnicos antes de investir no fatídico chute.

“Eu vejo alguns dos erros que cometi durante a luta…” disse. “Para acertar o chute perfeitamente eu deveria ter distraído (ele) primeiro, acertando socos em seu rosto para que ele não prestasse atenção ao chute. Ele estava protegendo a parte superior do corpo, e levantou a perna instintivamente. Foi um chute tão forte que ele perdeu o equilíbrio.”

Anderson quer lutar novamente, mas não está preocupado se sua próxima luta será outra revanche.

“Eu vi meu erro, agora só o que me preocupa é meu retorno” disse. “Se o UFC acha que eu mereço outra oportunidade (contra Weidman) ou se eu preciso fazer por merecê-la. Eu só quero fazer o que faço, não importa se é valendo título ou não. Quero fazer o que faço bem.”

Logo após o acidente, no entanto, as preocupações do “Spider” eram outras.

“A única coisa que eu estava pensando era ‘é isso? acabou? Será que ainda vou poder andar?'” disse. “Meu maior medo era o de nunca mais poder andar. Muitas coisas passavam pela minha cabeça no momento. Eu tenho 38 agora, farei 39 em Abril. É isso que me preocupa, mas to confiante que conseguirei. Conseguirei voltar.
“(Você deveria parar de lutar) quando sente que precisa parar, quando seu corpo e mente dizem isso. Acho que ainda tenho um monte de coisas a fazer. Não pretendo parar agora. Estou mais forte a cada dia que passa, e estarei de volta logo logo.”

A lenda do MMA ainda sofre com a dor, e revelou que algumas vezes pede para que sua esposa o leve para uma volta em Los Angeles para que ele possa sentar e chorar longe de suas crianças. A dor é parte da rotina de Silva agora, e ele sequer consegue dormir em paz.

“Quando acertei aquele chute eu ouvi um estalo alto, o som de um osso sendo quebrado, e uma enorme dor em seguida. Desde que deixei o hospital, não consigo dormir direito.” disse. “É muito difícil. Eu penso nisso constantemente, e me pergunto o motivo. ‘Porque, meu Deus, porque eu devo passar por tudo isso?’ Fico pensando qual a mensagem Ele está tentando me ensinar neste momento.”

A dor (pelo menos a física) eventualmente passará algum dia, e Silva pretende retornar ao Octógono para encerrar sua carreira da maneira que sempre planejou – com uma vitória.

Fonte: MMA Fighting

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Boxe: 8 Dicas do Campeão Olímpico Andre Ward

Andre Ward

Campeão mundial (super médio) das ligas WBA e WBC, o americano Andre “Son of God” Ward é conhecido no meio pugilista pelo excelente jogo de pernas e desenvoltura em suas lutas. Nascido em 1984, já foi campeão Olimpico (Athenas, 2004) e ocupa o segundo lugar no ranking mundial pound-for-pound de veículos como Yahoo! Sports, ESPN, Sports Illustrated e a revista The Ring.

Em 2012, em uma entrevista cedida à excelente Fighting Fit Magazine, Ward deu 15 conselhos que o ajudaram a chegar onde está. Eu traduzi 8 destes, que considerei mais bacanas tanto para iniciantes quanto veteranos. Note que apesar do foco no boxe, vários podem ser aplicados em outros estilos competitivos: Continuar lendo Boxe: 8 Dicas do Campeão Olímpico Andre Ward

Eventos de “MMA” no Brasil

Oi pessoal!

Hoje vou falar um pouco sobre estes eventos que estão na moda no mundo das lutas…

Quem costuma assistir os brasileiros (estreantes ou veteranos) no Ultimate Fighting Championship (UFC) pela TV, e não vai aos eventos menores (ou não os conhece) do Brasil, normalmente não entende o “caminho do calvário” que estes atletas percorrem antes de chegar lá.

Convidei o Professor de Lutas Luís Gustavo Lopes Penteado, também conhecido como TRETA , para responder as dúvidas mais frequentes à esse respeito. Um breve histórico deste “supercompetente” professor de MMA: Faixa Preta de Jiu-Jitsu, Muay Thai e Kung fu, já participou de varias competições das modalidades em que é formado, e lutou e participou da organização de vários eventos de MMA (Mixed Martial Arts) no Brasil. Atualmente é representante da Chute Boxe, equipe responsável por formar os maiores campeões mundiais de MMA. Entre eles: Cris Cyborg, Evangelista Cyborg, Nilson de Castro, Wanderlei Silva, Mauricio Shogun, Murilo Ninja, José Pelé Landy, Anderson Silva, Assuério Silva, Jean Silva, Luiz Azeredo, Daniel Acácio, e hoje possui 13 cinturões mundiais em eventos como: PRIDE FC, PRIDE GP, CAGE RAGE, PREDADOR FC, STORM SAMURAI, ELITEXC, STRIKEFORCE, entre outros.

Eu mesma já participei de um evento, que a exemplo de alguns dos mencionados acima, são menores, mas prestigiam o atleta. Foi na cidade de Juquiá-SP, “Fight Planet”, agora em outubro.  Fiz uma luta de Muay Thai e foi bem legal participar! Fotos do evento abaixo, e logo após, nossa entrevista…

Vamos à nossa entrevista:

Elite Marcial: Como surgiu, oficialmente, estes tipos de eventos de MMA no Brasil?

Treta: Antigamente, eventos parecidos com os de MMA de hoje, eram os “desafios” entre praticantes de artes marciais diferentes. A família Gracie foi a grande precursora desses “desafios”, com o intuito de provar a eficiência do Jiu-Jitsu sobre as outras Artes Marciais. Por questões políticas, começaram a ter proibições alegando violência e ilegalidade. Dado isto, foi criado o Mixed Martial Arts, com regras, federações, para que tornassem esses desafios “legais e oficiais”.

Elite Marcial: Existe hoje uma federação ou entidade à qual esses eventos respondem?

Treta: Existem várias federações e “Ligas” de MMA no Brasil hoje em dia -como por exemplo C.B.MMA (Confederação Brasileira de Mixed Martial Arts)- que organizam eventos, porém a grande maioria são organizados por academias e empresários que investem na modalidade.

Elite Marcial: Como funcionam esses eventos? Quem organiza, quem ajuda, são todos legalizados?

Treta: A grande maioria é assim: um empresário monta um evento, contrata um responsável para fazer o “Card”, que seleciona academias e atletas, faz acordos com patrocinadores que pagam as “bolsas” [valor que o participante recebe para poder lutar] dos atletas e as “cotas” [gastos gerais] do evento.

Elite Marcial: Quais os principais no Brasil?

Treta: Jungle Fight,  Show Fight -inclusive já participei algumas vezes da organização deste evento-, Storm Samurai, Shooto Brasil, Predador…

Elite Marcial: Como é oficializado o quadro de vitórias do atleta?

Treta: É o “Card” pessoal do atleta que conta. Para grandes eventos, a luta é postada no site Sherdog, onde é computado o número de vitórias do lutador. Por exemplo: para entrar no “UFC”, o lutador tem que ter pelo menos 3 Vitórias no Sherdog. Mas para eventos menores, são os professores das academias que computam o ranking pessoal do lutador.

Elite Marcial: Como o atleta pode realmente ganhar dinheiro nessa área? Ou é como o Futebol? Todo mundo gosta, tem um monte de praticantes, mas somente poucos ganham realmente bem…

Treta: É isso mesmo! Na verdade só quem luta em grandes eventos é que ganha bem. A maioria dos eventos paga pouco. O atleta tem que ralar muito para poder viver só disso. Os que topam participar desses eventos – a maioria não vai pelo dinheiro – acabam lutando por vários motivos: divulgar a equipe, status pessoal, porque gostam…

Elite Marcial: Na sua opinião, qual o futuro dessa modalidade no Brasil?

Treta: Acredito que o futuro já é o presente. Revolucionou! É o esporte que mais cresce no mundo e, o Brasil é o berço, pois começou com os desafios da família Gracie… E a tendência é crescer cada vez mais!

Bom gente, é isso aí! Essa foi nossa entrevista com este grande professor! Espero que tenham gostado.