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Porque TODOS os lutadores deveriam Boxear – Parte 2

Dando continuidade à nossa nova série de artigos, vamos ao segundo motivo do porquê TODOS os lutadores deveriam aprender a boxear, independente de seus “estilos” principais.

Velocidade do Reflexo

O ritmo em uma luta de boxe costuma ser muito mais rápido do que em outras artes marciais. Nós nos aproximamos atacando com as duas mãos praticamente ao mesmo tempo, isso quando não atacamos e defendemos ao mesmo tempo. Com absoluta certeza o boxe acontece em um ritmo mais rápido que o do wrestling ou lutas de “chão” em geral, que são mais baseadas em força e alavancas, e você acaba tendo mais tempo para pensar enquanto organiza seu ground game. No boxe esta janela de tempo não existe. Uma vez que você se encontra engajado com o oponente, é melhor estar lutando. Se estiver planejando pensar no ringue, melhor que esteja preparado para fazer isso enquanto soca e toma socos (e você já tentou pensar com clareza enquanto leva pancadas na cabeça? Tente). Realmente não existe – a não ser pelo intervalo – tempo ou local “de boa” para você ficar protelando.

Lutas são muito (MUITO) mais próximas quando chutes não são permitidos

Mas e quanto aos estilos marciais que envolvem chutes? Eu costumava pensar que uma forma de luta com 4 armas (mãos e pernas) teriam um ritmo muito mais rápido que um com somente 2 armas (mãos, no caso), mas não é bem assim, aparentemente. Continuar lendo Porque TODOS os lutadores deveriam Boxear – Parte 2

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Equilíbrio Emocional para Lutadores

Na vida de lutador, sempre nos deparamos com os nossos próprios conflitos internos e também o de nossos companheiros…

No fundo, todos nós criamos uma filosofia interna, que nos torna capazes de vencer nossos medos e continuar em frente. Com o tempo, todo o lutador desenvolve a sua.
Para mim, existem 3 fatores principais na avaliação do “equilíbrio emocional”: Medo do Fracasso – Autoconfiança – Superação

Medo (do fracasso):

Como sabemos, Artes Marciais são mais do que apenas “exercícios físicos”, existe também o trabalho do lado “mental e espiritual”.  Hoje até a ciência se une ao esporte, daí o termo que conhecemos como “psicologia do esporte”. A psicologia do esporte tem por objetivo discutir e desenvolver vários aspectos da vida do atleta, tais como valores pessoais, motivação e percepções.

Uma das grandes pesquisadoras brasileiras do tema é a Dra. Kátia Rubio, cientista, integrante do corpo docente da Universidade de São Paulo. Em sua obra intitulada “O Imaginário da Derrota no Esporte Contemporâneo”, constata que a derrota é, erroneamente, considerada algo abominável, a ser evitada a todo custo, portanto é um assunto que deve ser muito trabalhado junto aos atletas. Este assunto fica ainda mais preocupante quando os atletas, mesmo após conquistar posições de destaque e até mesmo subir ao pódio, não se sentem vitoriosos; ao contrário, sentem-se fracassados por não conquistar a medalha de ouro.
Segundo o Dr. Renato Miranda, outro estudioso do assunto, “a ideia de associar eventuais derrotas ao fracasso gera sentimentos bastante negativos, além de excessiva ansiedade. No entanto, todos nós sabemos que a derrota faz parte de nossas vidas, afinal, às vezes, mesmo os melhores cometem erros”.
A prática de esportes, assim como a maioria dos aspectos da vida, deve ser encarada como um aprendizado contínuo, buscando sempre a superação. As derrotas ocupam uma posição muito importante neste aprendizado, pois, somente com o reconhecimento destas, é possível direcionar a experiência, transformando-a de negativa para positiva.

Para mim -hoje em dia- funciona bem a filosofia de Thomas Edison (inventor) sobre o fracasso:

Eu não falhei. Apenas descobri 10.000 formas que não funcionam.

Autoconfiança:

Uma boa dica para despertar mais a autoconfiança é experimentar em treino, o que pretende realizar nas competições: procurando simular situações reais de competição, como, por exemplo, rodízio de golden point onde o atleta só sai quando vencer, situações contraditórias como “roubar o resultado” para que o atleta não perca o foco e continue concentrado, sem se preocupar com os erros comuns da arbitragem, ou também como se estivesse perdendo no placar “o que eu faria para reverter a situação?”. E se estiver ganhando “como manter o controle da situação?”.

Agir com confiança também pode elevar o espírito em tempos difíceis.

PENSAMENTO CONFIANTE – A confiança consiste em pensar que você pode e irá atingir suas metas. Uma atitude positiva é fundamental para atingir seu potencial. Os atletas precisam se livrar de pensamentos negativos quando dão o melhor de si.
MENTALIZAÇÃO – O uso da mentalização como treinamento diário auxilia no desenvolvimento da confiança e realização do que se objetiva. Uma técnica interessante é imaginar como se sentem e o que pensam grandes campeões mundiais e olímpicos e tentar auto-aplicar o sentimento que se imagina ser de um grande campeão, tanto nos momentos de vitória como de derrota.

Superação

Durante a luta ou competição esportiva, acontecem muitos fatores que desestruturam o atleta, (muitos deles citados acima) nessa hora é preciso encontrar sua força interior para que aja a “superação” das adversidades. O trabalho contínuo durante o treinamento pode-se chamar de superação, com o tempo aprimora-se esse trabalho para ser capaz de sempre superar à si mesmo. Superar os seus medos interiores, mas não que eles deixarão de existir, apenas aprender a controlá-los.

É importante lembrar que o treinamento físico é indispensável! Mas como costumo dizer:

Treinar, todos treinam. O que faz a diferença é o que tem na mente do atleta!

Até o próximo post!

Taekwondo – Brazil Games 2012

Oi pessoal!

Hoje vou falar (um pouquinho atrasada, admito) sobre o maior evento de TKD da América do Sul: o Brazil Games!
Realizado durante os dias 27 a 29 de Julho, o 42º Festival Brasileiro de Taekwondo – ou Brazil Games 2012 – é um Mundialito Aberto de TKD, que conta com competições de Kyorigui (lutas), Mudo (demonstrações, apresentações, quebramentos), o famigerado Miss Taekwondo, e o Mundial (oficial) de Duplas.

Como de costume, o evento contou com delegações de diversos estados brasileiros, assim como representantes de outros países (Coréia, Estados Unidos, Chile, e Argentina, apenas para citar alguns), que competiram nos estilos citados acima. Ao todo, mais de dois mil atletas lotaram o Ginásio Mauro Pinheiro (no Ibirapuera) durante os 3 dias de evento.

Abaixo vocês podem conferir algumas fotos deste festival que comemorou os 42 anos desta arte marcial no Brasil, e também um vídeo da minha participação na final do Mundial de Duplas Feminino (colete vermelho, começo lutando), de onde saímos campeãs! Eba! ^^

GET OVER HERE! – Aprendendo a lançar o arpão do Scorpion com Johnny Cage (?!)

Pesina. Daniel Pesina.

E aí? Alguma idéia de quem seja? Nada??

Garanto que se você nasceu na década de 80, está mais do que familiarizado com ele. Quer apostar? Vamos tentar outros nomes então:

Noob Saibot, Reptile, Smoke, Johnny Cage, Sub-Zero, e Scorpion.

Não disse que você o conhecia?

Pois é… agora, o que você talvez não saiba é que, além de ator,  exímio praticante de artes-marciais, e parente do Lorde Raiden (interpretado nos games por seu irmão Carlos Pesina), Daniel  – ou melhor, Sifu Pesina – comanda a academia Chicago Wushu, nos Estados Unidos.

Como o próprio título da academia -e seu curriculo marcial- sugerem, a especialidade do Sifu Pesina é o wushu, tradicional estilo de arte marcial chinesa. Além de suas belas apresentações coreografadas (com ou sem armas), o wushu é facilmente reconhecido em um campeonato pelo traje de seus praticantes, normalmente feito de cetim em cores muito vivas.

Dito isso, vamos ao que realmente interessa. O rope dart (ou arpão, ou kunai, ou ainda sheng biao) é uma arma chinesa formada basicamente de uma corda (de 3 a 5 metros de cumprimento, normalmente) com uma ponta de metal presa em uma de suas extremidades. Ela já apareceu em alguns filmes de kung fu do Jet Li da década de 80 também, mas provavelmente ficou gravada na mente da galera que cresceu nesta época por meio do icônico golpe do ninja Scorpion, de Mortal Kombat.

No video abaixo, Daniel ensina os principios do manuseio desta arma letal com a ajuda de um de seus jovens alunos. Caso não entenda muito inglês e queira pular direto para a prática, ela começa em 1:15.


Não é tão fácil quanto Scorpion faz parecer, não é? Ainda assim, uma técnica muito bacana, que envolve coordenação e muita precisão por parte de seu praticante.

Apesar de já ter visitado os Estados Unidos algumas vezes e ser um grande apreciador da pancadaria virtual de Mortal Kombat, só vim saber dessa academia há algumas semanas, após ler uma entrevista (ótima leitura, por sinal) com Daniel em um site de games aí.

Espero ter a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente em minhas próximas viagens, comprovando a boa vontade, humildade, e sobretudo o bom humor e disposição sempre comentados por pessoas que estiveram em contato próximo, e quem sabe até fazer uma aula em sua academia.

Até porque não é todo dia que podemos treinar com Mr. Cage em pessoa, não é?

Encontro de Instrutores de ShouBo e Campeonato

Este post está só um pouquinho atrasado, eu sei. Mas também, né, pensam que dar aulas, estudar técnicas, e vida pessoal deixam muito tempo livre? :D

Vamos lá: no dia 06 de maio aconteceu o primeiro encontro de instrutores de 1 °Nível de Shou Bo. A idéia do Grão Mestre Yaun Zumou (e convenhamos, provavelmente de todo Mestre vivo) é a de propagar e prosperar com este estilo pelo mundo. Assim sendo, incubiu à seu discípulo Márcio Adalberto Gonçalves a responsabilidade de divulgar o Shou Bo na América Latina, tomando frente da Federação Brasileira de Shou Bo.

Este curso terá mais 3 etapas, então, quem tiver interesse basta ficar de olho nas atualizações do site da Federação.

Ainda sobre este assunto, participei de dois encontros (um no dia 25/05 e outro no último domingo) promovidos entre as turmas de Shou Bo e Shuai Jiao. Enquanto o primeiro serviu para aproximar o pessoal e trocar experiências, o do dia 17 foi o 1° Encontro Interestadual de Shou Bo, e contou com a presença de alunos do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Além de promover o entrosamento entre os praticantes da arte no Brasil, neste evento também aconteceu a seletiva da equipe de competição que vai representar a Federação no Campeonato Internacional de Kung Fu, previsto para o dia 23 de Novembro deste ano, em São Paulo.

O Shou Bo é uma estilo que está se destacando bastante ultimamente. Se você é de São Paulo e tem interesse em conhecer mais sobre esta arte marcial,  faça uma visita à academia, de segunda à sábado (manhã)  na Rua Vergueiro 1929 – Vila Mariana (ao lado do Etapa).

Demonstração de Shou Bo:

Algumas fotos do encontro:

 

 

 

A indiscutível sabedoria de Bruce Lee

Não tem como falar de arte marcial sem pensar em Bruce Lee.

Dentre suas muitas qualidades profissionais, destacou-se como ator, diretor, produtor, dançarino (?!?), filósofo, e claro… um sensacional estudioso das artes marciais.

Seus conceitos revolucionários e constantes demonstrações de proezas físicas – marcas registradas deste artista – fizeram com que o ocidente criasse real interesse pelo maravilhoso e rico universo das artes marciais chinesas; um mundo enraizado na filosofia, busca do auto-conhecimento, envolto em mistério e misticismo, e – até então- proibido.

Em seus aforismos (que inclusive renderam um livro), temas como força e determinação – inspirações típicas dos bons atletas – sempre foram recorrentes.

Neste post de estréia, uma breve passagem sobre a frase que batiza o cabeçalho deste blog, sobre a eterna busca pela superação dos próprios limites:

Por Stirling Silliphant, aluno de Bruce, em prefácio do livro A Arte de Expressar o Corpo Humano.

Bruce fez com que eu chegasse aos 4,5 km por dia num bom ritmo. Corríamos os 4,5 km em 21 ou 22 min, ou 1,5 km em quase 8 min [Nota: quando corria sozinho em 1968, Lee baixava para 1,5 km em 6,5 min]. Então naquela manhã ele me disse: ‘Vamos correr 7,5 km’. Eu respondi: ‘Bruce, eu não consigo. Sou muito mais velho que você e não consigo chegar a 7,5 km’. Ele disse: ‘Quando chegarmos em 4,5, a gente muda de marcha, só vão faltar mais 3 km e você vai conseguir’. E eu respondi: ‘Ta, tudo bem, vou tentar, diabos!’. Chegamos então aos 4,5, entramos no quinto quilômetro e eu estava bem durante 3 ou 4 min, mas comecei ratear.
Estava cansado, com o coração disparado e não conseguia prosseguir, então disse a ele: ‘Bruce, se eu correr mais…’, e ainda estávamos correndo, ‘se eu correr mais, sou capaz de ter um enfarte e morrer’. Ele disse: ‘Então morra!’. Isso me deixou tão furioso que corri os 7,5 km. Depois da corrida fui para o chuveiro e, em seguida, queria conversar com ele sobre isso. Eu perguntei: ‘Por que você falou aquilo?’. E ele respondeu ‘Porque é melhor mesmo que você morra. É sério, se você sempre impuser limites ao que faz, fisicamente ou de qualquer outra maneira, isso vai se disseminar por todos os setores da sua vida. Vai atingir seu trabalho, sua moralidade, todo o seu ser. Não há limites. Há patamares, mas não podemos parar neles, precisamos ir além. Se morrer, morreu. Todo homem precisa se exceder constantemente.'”

Lee sempre foi um dos meus maiores ídolos, então citações a sua pessoa volta e meia aparecerão por aqui. Fiquem ligados. ;)